Aprender! Eis o verbo.
Inicio este blog com alguns questionamentos que nos desafiam.
Todos os seres humanos aprendem? Todo mundo é capaz de aprender sobre qualquer assunto? Será que é fácil aprender ou depende a matéria? Há alguma estratégia pré-definida que nos ensina a ensinar para que as pessoas aprendam efetivamente?
Para uns, Matemática é delicioso. Para outros, é um terror. Já para outos, Ciências é uma viagem, enquanto que para outros uma chatice. Enfim, aprender é algo bastante particular do mundo cognitivo de cada um.
O que acontece na prática, é que muitas pessoas desenvolvem mais determinadas áreas cerebrais que outras e por isso, apresentam menores recursos para estabelecerem relações com o que se propõe.
Mas, será que existem caminhos que favoreçam aprendizagens que abrirão caminhos para novas e significativas aprendizagens?
Minha experiência como profissional da educação que trabalha com diferentes públicos, (desde Fundamental I até universitários e professores especialistas) me permite afirmar que esta é uma questão possível.
O cérebro humano é um instrumento vivo, formado por uma rede neuronal em constante conexão. Desde o útero, por meio de estímulos, as conexões cerebrais vão sendo estabelecidas.Na medida em que o indivíduo começa a viver no mundo social, afetivo e cognitivo, estas relações passam a ser estabilizadas e formam-se os circuitos cerebrais. Tais circuitos são responsáveis por apreensões distintas, ou seja, cada área do nosso cérebro se relaciona a um tipo de aprendizagem/ conhecimento específico.
A psicanálise nos traz que nosso cérebro é como um computador, cheio de pastas e arquivos que acessamos quando acionamos os comandos específicos. Muitas vezes estes comandos podem ser sons, imagens, odor, ou palavras-chave. Um exemplo prático disso é quando sentimos um cheiro de perfume que há tempos não sentíamos e notamos que neste exato momento olfativo, rememoramos tudo o que sentíamos, momento de vida que estávamos, situação que vivíamos.
Quando criança, os neurônios estão em progressivo processo de reprodução. Isto favorece que a cada nova aprendizagem, uma nova conexão seja construída.
Na aprendizagem isso acontece de maneira semelhante. Na medida em que vamos tendo acesso a conhecimentos, vamos desenvolvendo uma organização neuronal que se não desenvolvida (aberta) ficará estagnada. Quando uma pessoa passa por processos de desenvolvimento cognitivo, os links daquela área do conhecimento, mesmo que não estimulados serão acionados e o conhecimento promovido por aquele setor cerebral será novamente ativado.
Mas isso se dá de maneira natural? Não.
Para isso acontecer, necessário se faz estímulos a diversas experiências. Quanto mais ricas, melhor. Neste processo são incluídas a memória gustativa, olfativa, visual, sinestésica... Ou seja, quanto mais acessos crianças desde tenra idade tiverem no campo dos sentidos, mais relações neuronais abrirá e maior facilidade terá no seu processo de aprendizagem.
Sabemos que os indivíduos têm diversas experiências afetivas, cognitivas e sociais que estimulam diferentes conexões, e eis aí o grande valor de um bom profissional professor e da avaliação.
Por meio de recursos distintos, o professor mapeia as conexões que aquele sujeito estabeleceu até aquele momento sobre determinado aspecto.
Na medida em que identifica, pode lançar mão de estratégias de oferecer recursos que iniciam as relações cognitivas do aluno com aquele conhecimento. Ou seja, se um aluno adulto não compreende técnicas operátórias, o professor precisa antes de ensinar a técnica por si, esclarecer ao aluno o que é o sistema de numeração decimal. Este início de relação se dará de forma mais significativa, sempre que houver contextualização daquele repertório com o mundo do aluno.
Para isso, recursos como: vídeos, músicas, imagens, jogos, mapas, matérias de jornais, encartes, passeios temáticos, estudos de meio, pesquisa de observação são fundamentais.
terça-feira, 15 de abril de 2014
Modalidades organizativas e o repertório do professor como instrumentos de aprendizagem
- Com foco na modalidade organizativa: Sequência didática (ou sequenciada)!
- Mas o que essa modalidade tem a ver com a questão do repertório e acessos culturais do professor?
- Primeiramente abordaremos a conceituação de atividades sequenciadas e em seguida, faremos a associação dela à questão do acervo cultural do professor.
- A sequência didática, como outras modalidades organizativas, é uma fundamental para todo e qualquer processo significativo de ensino que visa a aprendizagem. Isso porque são recursos de planejamento para o professor planejar efetivamente o percurso que pretende desenvolver para levar seus alunos à efetivas aprendizagens, que permeiam experiências e vivências distintas.
- Elas fazem do professor autor e sujeito de sua prática. Permite que ele tenha liberdade de criar caminhos, idealizar possibilidades, ideais, percursos, sem é claro, considerar a voz dos alunos e seus interesses...
- Somos profissionais responsáveis por levar pessoas a pensar, refletir, apreciar, experienciar. Como poderíamos limitar nossa prática a reproduções programadas linearmente?
- Quando trabalhamos com o foco na modalidade sequenciada estamos discutindo a questão da intencionalidade pedagógica.
- Já sabemos que todo processo de aprendizagem necessita de disparadores que promovam associações cognitivas e neurais que levam ao conhecimento. As sequências nada mais são do que atividades que levam os alunos a traçarem percursos cognitivos a partir de exploração e contato com diferentes meios e recursos.
- Mas não podemos partir dos conteúdos e objetivos por si só. Se queremos estimular o pensar, não podemos nos esquecer que temos sujeitos pensantes no nosso contexto educativo e que eles devem interagir! Caso contrário, não faz sentido uma sequência.
- Pensantes e apreciadores de quaisquer assuntos? Sim!
- Podem não ter se atentado para uma ou outra abordagem/ temática, mas alguma hipótese têm sobre as questões. E é daí que partimos.
- Precisamos suscitar nos alunos questionamentos e levantamento de hipóteses a respeito da temática que faremos e diante do retorno trazido, mapeamos nosso trajeto tendo sempre os objetivos e conteúdos como pano de fundo que nortearão todas as nossas ações e serão também nossa meta final.
- É neste processo de levar os alunos a estabelecerem relações que entra nosso repertório cultural!
- O ideal é que nas jornadas formativas tenhamos tempo de ler. Ler jornais, revistas, livros, sites, blogs, sites.
- Que assistamos filmes, que visitemos exposições, ouçamos músicas... Enfim, que possamos garantir para nós mesmos uma ampliação de informações que nos favoreça auxiliar o outro a estabelecer outras, pois a partir deste repertório teremos referenciais e condições de ampliarmos nossas ofertas aos alunos.
- Mas, independentemente do nosso repertório, só o fato de planejarmos uma sequência didática já favorece que estabeleçamos sentidos, relações e estudo, aprendendo em decorrência deste pré-estudo.
- Daí em diante, cada proposta que venha acontecer terá os conhecimentos do professor como disparadores, que tendo apropriação daquele assunto, contagiará o aluno e compreenderá o processo que ele está com mais desenvoltura, propondo assim retomadas, ampliações, mudanças de percurso, ampliações, fechamentos.
- Lembro-me como se fosse hoje das aulas do meu (ex) professor de filosofia Alípio Casali, que, por ser apaixonado pelo seu fazer, pegava na mão de seus alunos e mergulhava com eles nos textos/universo de Comte, Platão, Freud, Foucault autores bastante complexos.
- Seu envolvimento simbiótico com aquela literatura, favorecia com que ele nos levasse àquele mundo estranho a princípio, mas que ia se tornando familiar. Com este mecanismo, éramos provocados a pensar, estabelecer diferentes associações de modo que aquelas discussões foram muito significativas para mim.
- Então nesta perspectiva, o aluno teria a seu favor, além dos materiais pedagógicos, um professor mediador e co-autor que, com propostas encadeadas entre si, que favorecerão seu contato com o assunto em questão de maneira significativa.
- No decorrer deste processo dialógico e intencional, o professor vai favorecendo as relações dos alunos. Quanto mais contato com o mundo, mais possibilidades o professor tem de oferecer associações a eles. Quando lê livros, ao abordar uma temática, pode ampliar com informações que leu, quando lê jornal, pode trazer por meio de leituras compartilhadas, exemplificações ou desfechos do tema discutido. Quando viaja pode relatar peculiaridades daquele contexto, bioma, cultura, imagens.
- Posso apostar, por experiência própria, que todo aluno que tem contato com uma sequência sistematizada, interessante que favoreça estabelecimento de relações,contribuem ao ato de aprender. As relações tornam-se mais próximas, mais significativas. Seu comportamento deixa de ser de receptor para um curioso interessado, que se sente feliz por saber que sabe!
- É lindo ver o brilho nos olhos deles por esta conquista!”
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