terça-feira, 15 de abril de 2014

O ato de aprender

Aprender! Eis o verbo.
Inicio este blog com alguns questionamentos que nos desafiam.
Todos os seres humanos aprendem? Todo mundo é capaz de aprender sobre qualquer assunto? Será que é fácil aprender ou depende a matéria? Há alguma estratégia pré-definida que nos ensina a ensinar para que as pessoas aprendam efetivamente?
 Para uns, Matemática é delicioso. Para outros, é um terror. Já para outos, Ciências é uma viagem, enquanto que para outros uma chatice. Enfim, aprender é algo bastante particular do mundo cognitivo de cada um.
O que acontece na prática, é que muitas pessoas desenvolvem mais determinadas áreas cerebrais que outras e por isso, apresentam menores recursos para estabelecerem relações com o que se propõe.
Mas, será que existem  caminhos que favoreçam aprendizagens que abrirão caminhos para novas e significativas aprendizagens?
Minha experiência como profissional da educação que trabalha com diferentes públicos, (desde Fundamental I até universitários e professores especialistas) me permite afirmar que esta é uma questão possível.
O cérebro humano é um instrumento vivo, formado por uma rede neuronal em constante conexão. Desde o útero, por meio de estímulos, as conexões cerebrais vão sendo estabelecidas.Na medida em que o indivíduo começa a viver no mundo social, afetivo e cognitivo, estas relações passam a ser estabilizadas e formam-se os circuitos cerebrais. Tais circuitos são responsáveis por apreensões distintas, ou seja, cada área do nosso cérebro se relaciona a um tipo de aprendizagem/ conhecimento específico.
A psicanálise nos traz que nosso cérebro é como um computador, cheio de pastas e arquivos que acessamos quando acionamos os comandos específicos. Muitas vezes estes comandos podem ser sons, imagens, odor, ou palavras-chave. Um exemplo prático disso é quando sentimos um cheiro de perfume que há tempos não sentíamos e notamos que neste exato momento olfativo, rememoramos tudo o que sentíamos, momento de vida que estávamos, situação que vivíamos.
Quando criança, os neurônios estão em progressivo processo de reprodução. Isto favorece que a cada nova aprendizagem, uma nova conexão seja construída.
Na aprendizagem isso acontece de maneira semelhante. Na medida em que vamos tendo acesso a conhecimentos, vamos desenvolvendo uma organização neuronal que se não desenvolvida (aberta) ficará estagnada. Quando uma pessoa passa por processos de desenvolvimento cognitivo, os links daquela área do conhecimento, mesmo que não estimulados serão acionados e o conhecimento promovido por aquele setor cerebral será novamente ativado.
Mas isso se dá de maneira natural? Não.
Para isso acontecer, necessário se faz estímulos a diversas experiências. Quanto mais ricas, melhor. Neste processo são incluídas a memória gustativa, olfativa, visual, sinestésica... Ou seja, quanto mais acessos crianças desde tenra idade tiverem no campo dos sentidos, mais relações neuronais abrirá e maior facilidade terá no seu processo de aprendizagem.
Sabemos que os indivíduos têm diversas experiências afetivas, cognitivas e sociais que estimulam diferentes conexões, e eis aí o grande valor de um bom profissional professor e da avaliação.
Por meio de recursos distintos, o professor mapeia as conexões que aquele sujeito estabeleceu até aquele momento sobre determinado aspecto.
Na medida em que identifica, pode lançar mão de estratégias de oferecer recursos que iniciam as relações cognitivas do aluno com aquele conhecimento. Ou seja, se um aluno adulto não compreende técnicas operátórias, o professor precisa antes de ensinar a técnica por si, esclarecer ao aluno o que é o sistema de numeração decimal. Este início de relação se dará de forma mais significativa, sempre que houver contextualização daquele repertório com o mundo do aluno.
Para isso, recursos como: vídeos, músicas, imagens, jogos, mapas, matérias de jornais, encartes, passeios temáticos, estudos de meio, pesquisa de observação são fundamentais.


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