segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A ESCOLA QUE ESCOLHEMOS PARA NOSSOS FILHOS

A escola que escolhemos!
Um dia, ao folhear uma apostila de uma criança de três anos, notei que numa atividade de recorte e monte o quebra-cabeça da figura, a professora registrou: "Foi explicado várias vezes, mas não conseguiu."
Imediatamente um pensamento suscitou: "Uma criança de  três anos que não consegue preencher um exercício, deve receber o registro de que não conseguiu ou a escola esta propondo algo que não corresponde ao seu desenvolvimento motor, cognitivo ?"
Infelizmente, um pai leigo na dinâmica de uma escola, de como se ensina e como se aprende ao se deparar com um registro deste tipo se preocupa a ponto de depositar no filho pensamentos de frustração do tipo: "Meu filho está com dificuldade" e normalmente não questiona:" O que foi proposto e como meu filho elabora isso?".
Sei que muitas das minhas colegas de profissão podem ficar encolerizadas com minha colocação, mas o fato é que se uma criança não aprende, o professor, por meio de suas estratégias, procedimentos didáticos e conceitos teóricos, não está conseguindo atingí-lo. Por mais que isso nos frustre, incomode, é a realidade!
Logicamente, não atribuo somente a nós professores esta responsabilidade. Mas a todo o contexto: Família implicada com o aprendizado dos filhos, alunos que demonstram estar interessados, estrutura de trabalho, apoio pedagógico... Mas no final, esta é uma tarefa nossa.
Também tenho notado crianças próximas na faixa dos oito aos dez anos, consideradas BOAS ALUNAS de renomadas escolas, pedindo que os pais tirarem-nas de lá. E os pais ignorando, porque consideram que aquela é uma ótima escola!
Mas ótimo é o que? Uma escola que devasta o prazer pelo aprender por tanta pressão?
O problema todo é o resquício que estas experiências dolorosas vão repercutir na vida escolar das crianças como alunos e estas experiências refletirão nas suas vidas como aprendizes o resto de suas  vidas.
Tenho uma amiga que adorava estudar e ama crianças. No Ensino Médio, decidiu se matricular num colégio de renome, o mais forte, pois desejava ser pediatra. A experiência de estudar grandes volumes de matéria sob pressão e exigência de corresponder foi tão traumática, que ela desistiu de seu sonho e agoxra diz-se odiar estudar.
 Nesta toada, tenho visto crianças em idade de estar encantada pelo mundo letrado com medo de errar a construção das palavras...
Quem de nós não teve uma má experiência escolar que foi tão marcante e decisiva para que deixássemos de gostar daquela matéria ou daquele assunto?
Que fique bem claro que não me refiro aqui a exigências de âmbito escolar. Refiro-me à uma escolarização massacrante em que o sujeito aprendiz, que tem todo seu processo de aprendizagem em construção muitas vezes é ignorado em função de materiais e excessivas atividades apostiladas.
Tenho recebido alunos com nove anos com grande dificuldade de coordenar movimentos, lateralidade, de organizar seu próprio material, cadernos, sua mesa/pertences. Será que isso é à toa? Como Pedagoga, tenho a certeza que não. Sei que o que lhes faltou nos anos de educação infantil (dos 2 aos 5 anos), foram brincadeiras motoras, jogos simbólicos, sistematizações de rotinas, atividades lúdicas que favorecessem a construção desta organização cérebro/corpórea.
Por meio da sistematização da rotina, do material, a criança organiza seus próprios tempos internos, seu próprio mundo.
Da mesma forma que por meio das brincadeiras lúdicas e simbólicas (casinha, médico, dentista) a criança começa elaborar seu próprio papel, experimentar lugares diferentes de ser, formas distintas de disputar, gerenciar conflitos... Logicamente que tudo o que me refiro acontece naturalmente, mas se houver a intencionalidade na mediação de um professor, esse processo será muito mais rico.
Uma criança que brinca no parque todos os dias, corre, sobe no trepa trepa, escorrega, balança, se pendura, se relaciona com outras crianças, vai tomando consciência do seu próprio corpo, dos espaços, vai construindo a dimensionalidade geográfica por meio da sua construção motora.
Futuramente, ela será uma pessoa que terá noção de espaços para uma baliza, por exemplo.
Uma criança que explora cores, risca, rabisca, joga sua expressão por meio de diferentes suportes (papel, parede, cartolina, papelão) e meios (giz de cera, tinta, carvão, palitos) será alguém menos preso a padrões capaz de criar, inovar, surpreender com novas ideias.
Uma criança que é repertoriada com  contos de fadas e histórias infantis, vai construindo subjetivamente identificações com personagens, vai desenvolvendo mecanismos psíquicos que a levarão acreditar ser possível resolver conflitos, considerar a existência do bem e do mal, enfim, são situações valiosíssimas que favorecem a construção emocional das crianças.
Vejam que não estamos falando de exercícios escolarizados em momento algum.

Muitas escolas, preocupadas com o mercado, com  expectativa de atender a demanda dos pais no fluxo da sociedade em que estamos vivendo, acabam por mercantilizar este processo e oferecem inúmeras atividades consecutivas de modo que as crianças não têm mais tempo como os pais.
São inseridas no inglês, na informática, no judô, no Kumon, na natação, no futebol, na catequese/escola bíblica, enfim, são tantas obrigações que as crianças desaprendem a brincar.
Para quê isso tudo? Para preencher seu tempo, para ficar preparada para o futuro!
Só nos tornamos adultos, civilizados, mais ou menos bem resolvidos, quanto mais tivermos uma infância rica.
Não defendo escolas fracas e sim escolas sérias que respeitam as teorias de aprendizagem fundamentadas em Piaget, Vigotsky e Wallon.
Piaget quando nos provou que a aprendizagem é um processo de construção, Vigotsky quando nos apresenta que todo sujeito aprende por zonas de desenvolvimento real e proximal (por contextualizações) e Wallon quando nos ensina que todo processo de aprendizagem é afetivo e permeado por relações afetivas.
Nenhum destes autores defendeu superproduções, exigências de índices, ignorar fases de desenvolvimento motor, cognitivo, afetivo e social.
 Defendo que até o final da educação infantil a criança tenha TODO acesso a propostas lúdicas, simbólicas, interacionistas e construtivas.
Que no ensino fundamental I este aluno possa ser inserido no mundo letrado e transitar nele com proficiência e Muuuuuito prazer por aprender, pois estes anos serão cruciais para permanecerem estudantes ao longo da vida. Afinal, é o que bons profissionais são!



Quantos anos durou sua infância?

Quantos anos durou sua infância?
A minha estendeu-se até os dezesseis por conta de ter começado a trabalhar, mas acabou mesmo, aos 18 anos quando comecei a namorar e já estava na faculdade.  Privilégio, não?
E hoje, quantos anos uma criança tem de infância?
Tenho notado, pela minha experiência, que não passa dos 12 anos e num formato totalmente diferente do de outrora. Hoje, crianças também consomem.
Afinal,vivemos na era digital. Na era do imediatismo, do consumo. Desta forma, nossas relações são permeadas deste ideário consumista e da produtividade.
 Nos finais de semana, momentos mais acentuados de exercermos nossa paternidade, nós pais sobrecarregados de demandas, estamos cansados. Como lazer gostamos de acessar nossas mídias digitais e muitas vezes ficamos com preguiça de atender as necessidades de nossas crianças, porque isso requer  desconfortar-nos.
Além disso, nesta era de boa forma, há também a luta pelo bom condicionamento físico que também entra nestes mesmos finais de semana. Assim, colocamos nossa prioridade das horas de lazer, que seria na dedicação de viver a infância com os filhos, para treinar. Para quê? Para competir!
Há outros casos de pais estressados com a rotina árdua da semana que também não conseguem parar para privilegiar a infância do filho, porque tem prazos de trabalhos a serem realizados em casa, casa para por em ordem, despesas para fazer, enfim, tudo se torna prioridade neste mundo do não temos mais tempo pra viver.Um lazer num play ground, num parque, numa boa leitura na cama com seu filho, numa música com o filho, num passeio de bicicleta, só às vezes!
E a criança fica à mercê de desenhos, brinquedos eletrônicos e jogos midiáticos.  A infância como vivíamos e concebíamos do brincar, explorar, conviver teve grande grande porcentagem subtraída por conta da violência urbana, outra grande parte diminuída por conta da ausência da figura responsável para vigiar as explorações e outra porcentagem roubada por mídias digitais que para os pais, são excelentes babás!
E essa criança não aprende a disputar coisas, não aprende a explorar, a buscar estratégias de solução de problemas, não se frustra! O que isso vai gerar? Uma criança que quando tiver contato com contrariedade, problemas, conflitos, bate, se revolta, se irrita. Uma criança adulta,desajustada! E o que fazemos com eles depois? Os reprimimos, colocamos nos psicólogos, nos descabelamos.
Lazer, dormir, andar à pé, de bicicleta, bater papo, receber amigos, ler, brincar são atividades que estão gradativamente perdendo espaço para os computadores e mídias digitais nas nossas casas. 
 Por isso, estamos vivendo uma era de depressão, transtornos bipolares e de ansiedade.
Vejamos o cunho (em grosseiras exemplificações) destas doenças: depressão: nada mais tem graça! Transtornos bipolares: perco a capacidade cerebral de equilibrar os momentos bons e maus. Transtorno de ansiedade: quero mais tempo para conseguir terminar tudo, não suporto esperar, estou condicionado ao imediatismo do clico e resolvo, por isso o tempo do outro é agonia pra mim.
Pensemos pois, nas crianças desta sociedade. Que educação têm recebido? Que critérios os adultos tem tido para gerenciar as escolhas acerca de suas vidas? Estamos preocupados com a supressão da infância? Temos a dimensão do que isso significa?
Para quem sobra esta demanda? Para a escola. Mas que escola?

sábado, 2 de agosto de 2014

Educar não esta na moda!


A tragédia do menino com o braço dilacerado pelo tigre no zoológico de Cascavel denuncia que algo muito grave esta acontecendo na nossa sociedade. Um pai não ter a dimensão do seu papel de responsável pela preservação da vida de um filho?
Várias pessoas alarmadas o alertaram a fim de mobilizá-lo a assumir seu papel e NADA o mobilizou?
Parece que este homem que ocupava o lugar do adulto da relação, nunca teve consciência e clareza do que isso significava, de modo que sua negligência em assumir tal papel gerou que seu filho perdesse um braço.
 Savater(1998), anuncia que estamos vivendo um momento social do culto à juventude, ao novo, ao inédito, onde não há espaço para a cultura, à experiência adquirida pela vida, à autoridade. Exercer papel de adulto dá trabalho, é cansativo, incomoda, desconforta.

Como educadora, tenho visto vários alunos na eminência de perderem membros, a vida, o futuro, os sonhos por serem conduzidos por adultos que não assumem seu papel. São crianças em anomia total, procurando alguém que olhe pra eles e diga: "Não!"
As crianças não comem mais comida! Não sabem o gosto de frutas porque dizem não gostar, mas nunca experimentaram. Tenho vários alunos com 9/10 anos com sobrepeso e com alto índice de colesterol.
Parece que estamos vivendo o colapso dos valores. 
Até onde vamos desta maneira?
Estas crianças serão adultos e a situação ficará ainda mais caótica.
Por conta do consumo,  vivemos uma dinâmica doentia de vida, corremos contra o tempo, pois ele urge e custa!
Nesta dinâmica do clique e resolva, estamos transformando nossas formas de viver e de nos relacionar. E as crianças que precisam e seguem modelos e referenciais, perdem braços!
 Segundo Savater (1998), devido a demanda de consumo que vivemos, as mulheres passaram a trabalhar fora e assim as crianças deixaram de ter referenciais pontuais no período da infância. Os avós se não mantém-se trabalhando após a aposentadoria, também não querem assumir o papel de educadores de netos, pois suas vidas também estão pautadas nesta dinâmica de cultuar a vida, o corpo, a saúde, boa forma. Ou seja, não esta na moda educar!
Assim, é mais fácil deixar pra lá. Deixá-los decidirem sobre sua vida, rotina, se fazem tarefas ou não. Oferecer bolachas e guloseimas que enfrentar mercado, cozinha e alternativas para que a criança se interesse por se alimentar de coisas saudáveis. É mais fácil pensar que a criança já sabe o que faz, que é grande, inteligente, responsável para saber o que fazer, como fazer e quando fazer!
É mais fácil terceirizar pra escola, babá, professora os princípios de uma vida civilizada, com segurança, responsabilidade, ética...

Este infeliz desfecho somente ilustra a sociedade doente que estamos construindo e vivendo.
Isso se reflete na brutalidade dos roubos. Nunca se matou tão banalmente como hoje. Mata-se porque é mais fácil.
Um pequeno gesto de "faltei porque perdi a hora", sem que o pai perceba, apresenta à criança que numa situação que ela deverá ter responsabilidade, há possibilidade dela negligenciar e faltar porque perdeu a hora! Será que no futuro serão adultos responsáveis com compromissos e responsabilidades?
Alunos que fazem sua regra na rotina escolar, mentindo na justificativa da não realização de tarefas de casa, futuramente serão pessoas capazes de assumir compromisso e responsabilidade com as pessoas? Ou pior, consigo próprias, terão capacidade de ter metas, almejá-las e trabalhar em prol delas?
Hoje é feio envelhecer, por isso o apelo desenfreado por técnicas estéticas, alimentares e cirúrgicas. Até pra emagrecer hoje em dia basta cortar um pedaço do órgão ou colocar balão que engana os sentidos. Tudo simples e prático!
O problema todo é que esqueceram de facilitar o processo de desenvolvimento cognitivo, psíquico e emocional do humano!
Continuamos sendo humanos e complexos. E como tal, necessitamos, quando pequenos, de modelos, de referenciais, de bons exemplos. Necessitamos confiar nas pessoas adultas e que elas façam jus ao seu papel. Mas o que vemos é que nesta sociedade é bonito ser infantil, porque ser infantil significa ter desejos desenfreados. Significa acreditar em fantasias. Significa ser consumista!
  Na sociedade do " a fila anda", ninguém tolera mais nada, não se tem mais a palavra como ponto de honra,  um passa por cima do outro sem o menor constrangimento.
 E assim, vamos nos debatendo vendo atrocidades como esta acontecendo,sentindo que nossos valores vazam por entre nossos dedos, lutando dia após dia para instituir valores nos alunos que passam pelas nossas mãos. Cansativo, desgastante, triste.
 Imersos nessa esquizofrênica realidade, vivemos esperando ansiosamente o pagamento para comprar e consumir para acalmar nossos desejos. Até quando?

*http://maringa.odiario.com/policia/noticia/853272/garoto-tem-braco-dilacerado-por-tigre/
*Savater, Fernando.
O valor de educar. Trad. Monica Stahel. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

terça-feira, 15 de abril de 2014

O ato de aprender

Aprender! Eis o verbo.
Inicio este blog com alguns questionamentos que nos desafiam.
Todos os seres humanos aprendem? Todo mundo é capaz de aprender sobre qualquer assunto? Será que é fácil aprender ou depende a matéria? Há alguma estratégia pré-definida que nos ensina a ensinar para que as pessoas aprendam efetivamente?
 Para uns, Matemática é delicioso. Para outros, é um terror. Já para outos, Ciências é uma viagem, enquanto que para outros uma chatice. Enfim, aprender é algo bastante particular do mundo cognitivo de cada um.
O que acontece na prática, é que muitas pessoas desenvolvem mais determinadas áreas cerebrais que outras e por isso, apresentam menores recursos para estabelecerem relações com o que se propõe.
Mas, será que existem  caminhos que favoreçam aprendizagens que abrirão caminhos para novas e significativas aprendizagens?
Minha experiência como profissional da educação que trabalha com diferentes públicos, (desde Fundamental I até universitários e professores especialistas) me permite afirmar que esta é uma questão possível.
O cérebro humano é um instrumento vivo, formado por uma rede neuronal em constante conexão. Desde o útero, por meio de estímulos, as conexões cerebrais vão sendo estabelecidas.Na medida em que o indivíduo começa a viver no mundo social, afetivo e cognitivo, estas relações passam a ser estabilizadas e formam-se os circuitos cerebrais. Tais circuitos são responsáveis por apreensões distintas, ou seja, cada área do nosso cérebro se relaciona a um tipo de aprendizagem/ conhecimento específico.
A psicanálise nos traz que nosso cérebro é como um computador, cheio de pastas e arquivos que acessamos quando acionamos os comandos específicos. Muitas vezes estes comandos podem ser sons, imagens, odor, ou palavras-chave. Um exemplo prático disso é quando sentimos um cheiro de perfume que há tempos não sentíamos e notamos que neste exato momento olfativo, rememoramos tudo o que sentíamos, momento de vida que estávamos, situação que vivíamos.
Quando criança, os neurônios estão em progressivo processo de reprodução. Isto favorece que a cada nova aprendizagem, uma nova conexão seja construída.
Na aprendizagem isso acontece de maneira semelhante. Na medida em que vamos tendo acesso a conhecimentos, vamos desenvolvendo uma organização neuronal que se não desenvolvida (aberta) ficará estagnada. Quando uma pessoa passa por processos de desenvolvimento cognitivo, os links daquela área do conhecimento, mesmo que não estimulados serão acionados e o conhecimento promovido por aquele setor cerebral será novamente ativado.
Mas isso se dá de maneira natural? Não.
Para isso acontecer, necessário se faz estímulos a diversas experiências. Quanto mais ricas, melhor. Neste processo são incluídas a memória gustativa, olfativa, visual, sinestésica... Ou seja, quanto mais acessos crianças desde tenra idade tiverem no campo dos sentidos, mais relações neuronais abrirá e maior facilidade terá no seu processo de aprendizagem.
Sabemos que os indivíduos têm diversas experiências afetivas, cognitivas e sociais que estimulam diferentes conexões, e eis aí o grande valor de um bom profissional professor e da avaliação.
Por meio de recursos distintos, o professor mapeia as conexões que aquele sujeito estabeleceu até aquele momento sobre determinado aspecto.
Na medida em que identifica, pode lançar mão de estratégias de oferecer recursos que iniciam as relações cognitivas do aluno com aquele conhecimento. Ou seja, se um aluno adulto não compreende técnicas operátórias, o professor precisa antes de ensinar a técnica por si, esclarecer ao aluno o que é o sistema de numeração decimal. Este início de relação se dará de forma mais significativa, sempre que houver contextualização daquele repertório com o mundo do aluno.
Para isso, recursos como: vídeos, músicas, imagens, jogos, mapas, matérias de jornais, encartes, passeios temáticos, estudos de meio, pesquisa de observação são fundamentais.


Modalidades organizativas e o repertório do professor como instrumentos de aprendizagem


  1. Com foco na modalidade organizativa: Sequência didática (ou sequenciada)!
  2. Mas o que essa modalidade tem a ver com a questão do repertório e acessos culturais do professor?
  3. Primeiramente abordaremos a conceituação de atividades sequenciadas e em seguida, faremos a associação dela à questão do acervo cultural do professor.
  4. A sequência didática, como outras modalidades organizativas, é  uma fundamental para todo e qualquer processo significativo de ensino que visa a aprendizagem. Isso porque são recursos de planejamento para o professor  planejar efetivamente o percurso que pretende desenvolver para levar seus alunos à efetivas aprendizagens, que permeiam experiências e vivências distintas.
  5. Elas fazem do professor autor e sujeito de sua prática. Permite que ele tenha liberdade de criar caminhos, idealizar possibilidades, ideais, percursos, sem é claro, considerar a voz dos alunos e seus interesses...
  6. Somos profissionais responsáveis por levar pessoas a pensar, refletir, apreciar, experienciar. Como poderíamos limitar nossa prática a reproduções programadas linearmente?
  7. Quando trabalhamos com o foco na modalidade sequenciada  estamos discutindo a questão da intencionalidade pedagógica.
  8. Já sabemos que todo processo de aprendizagem  necessita de disparadores que promovam associações cognitivas e neurais que levam ao conhecimento. As sequências nada mais são do que atividades que levam os alunos a traçarem percursos cognitivos a partir de exploração e contato com diferentes meios e recursos.
  9. Mas não podemos partir dos conteúdos e objetivos por si só. Se queremos estimular o pensar, não podemos nos esquecer que temos sujeitos pensantes no nosso contexto educativo e que eles devem interagir! Caso contrário, não faz sentido uma sequência.
  10. Pensantes e apreciadores de quaisquer assuntos? Sim!
  11. Podem não ter se atentado para uma ou outra abordagem/ temática, mas alguma hipótese têm sobre as questões. E é daí que partimos.
  12. Precisamos suscitar nos alunos questionamentos e levantamento de hipóteses a respeito da temática que faremos e diante do retorno trazido, mapeamos nosso trajeto tendo sempre os objetivos e conteúdos como pano de fundo que nortearão todas as nossas ações e serão também nossa meta final.
  13. É neste processo de levar os alunos a estabelecerem relações que entra nosso repertório cultural!
  14. O ideal é que nas jornadas formativas tenhamos tempo de ler. Ler jornais, revistas, livros, sites, blogs, sites.
  15. Que assistamos filmes, que visitemos exposições, ouçamos músicas... Enfim, que possamos garantir para nós mesmos uma ampliação de informações que nos favoreça auxiliar o outro a estabelecer outras, pois a partir deste repertório teremos referenciais e condições de ampliarmos nossas ofertas aos alunos.
  16. Mas, independentemente do nosso repertório, só o fato de planejarmos uma sequência didática já favorece que estabeleçamos sentidos, relações e estudo, aprendendo em decorrência deste pré-estudo.
  17. Daí em diante, cada proposta que venha acontecer terá os conhecimentos do professor como disparadores, que tendo apropriação daquele assunto, contagiará o aluno e compreenderá o processo que ele está com mais desenvoltura, propondo assim retomadas, ampliações, mudanças de percurso, ampliações, fechamentos.
  18. Lembro-me como se fosse hoje das aulas do meu (ex) professor de filosofia Alípio Casali, que, por ser apaixonado pelo seu fazer, pegava na mão de seus alunos e mergulhava com eles nos textos/universo de Comte, Platão, Freud, Foucault autores bastante complexos.
  19. Seu envolvimento simbiótico com aquela literatura, favorecia com que ele nos levasse àquele mundo estranho a princípio, mas que ia se tornando familiar. Com este mecanismo, éramos provocados a pensar, estabelecer diferentes associações  de modo que aquelas discussões foram muito significativas para mim.
  20. Então nesta perspectiva, o aluno teria a seu favor, além dos materiais pedagógicos, um professor mediador e co-autor que, com propostas encadeadas entre si, que favorecerão seu contato com o assunto em questão de maneira significativa.
  21. No decorrer deste processo dialógico e intencional, o professor vai favorecendo as relações  dos alunos. Quanto mais contato com o mundo, mais possibilidades o professor tem de oferecer associações a  eles. Quando lê livros, ao abordar uma temática, pode ampliar com informações que leu, quando lê jornal, pode trazer por meio de leituras compartilhadas, exemplificações ou desfechos do tema discutido. Quando viaja pode relatar peculiaridades daquele contexto, bioma, cultura, imagens.
  22. Posso apostar, por experiência própria, que todo aluno que tem contato com uma sequência sistematizada, interessante que favoreça estabelecimento de relações,contribuem ao ato de aprender. As relações tornam-se mais próximas, mais significativas. Seu comportamento deixa de ser de receptor para um curioso interessado, que se sente feliz por saber que sabe!

  23. É lindo ver o brilho nos olhos deles por esta conquista!”