Quantos anos durou sua infância?
A minha estendeu-se até os dezesseis por conta de ter começado a trabalhar, mas acabou mesmo, aos 18 anos quando comecei a namorar e já estava na faculdade. Privilégio, não?
E hoje, quantos anos uma criança tem de infância?
Tenho notado, pela minha experiência, que não passa dos 12 anos e num formato totalmente diferente do de outrora. Hoje, crianças também consomem.
Afinal,vivemos na era digital. Na era do imediatismo, do consumo. Desta forma, nossas relações são permeadas deste ideário consumista e da produtividade.
Nos finais de semana, momentos mais acentuados de exercermos nossa
paternidade, nós pais sobrecarregados de demandas, estamos cansados.
Como lazer gostamos de acessar nossas mídias digitais e muitas vezes
ficamos com preguiça de atender as necessidades de nossas crianças,
porque isso requer desconfortar-nos.
Além disso, nesta era de boa forma, há também a luta pelo bom
condicionamento físico que também entra nestes mesmos finais de semana.
Assim, colocamos nossa prioridade das horas de lazer, que seria na
dedicação de viver a infância com os filhos, para treinar. Para quê?
Para competir!
Há outros casos de pais estressados com a rotina
árdua da semana que também não conseguem parar para privilegiar a
infância do filho, porque tem prazos de trabalhos a serem realizados em
casa, casa para por em ordem, despesas para fazer, enfim, tudo se torna
prioridade neste mundo do não temos mais tempo pra viver.Um lazer num play ground, num parque, numa boa leitura na cama com seu
filho, numa música com o filho, num passeio de bicicleta, só às vezes!
E a criança fica à mercê de desenhos, brinquedos eletrônicos e jogos midiáticos. A infância como vivíamos e concebíamos do brincar, explorar, conviver teve grande grande porcentagem subtraída por conta da violência urbana, outra grande parte diminuída por conta da ausência da figura responsável para vigiar as explorações e outra porcentagem roubada por mídias digitais que para os pais, são excelentes babás!
E essa criança não aprende a disputar coisas, não aprende a explorar, a buscar estratégias de solução de problemas, não se frustra! O que isso vai gerar? Uma criança que quando tiver contato com contrariedade, problemas, conflitos, bate, se revolta, se irrita. Uma criança adulta,desajustada! E o que fazemos com eles depois? Os reprimimos, colocamos nos psicólogos, nos descabelamos.
Lazer, dormir, andar à pé, de bicicleta, bater papo, receber amigos, ler, brincar são atividades que estão gradativamente perdendo espaço para os computadores e mídias digitais nas nossas casas.
Por isso, estamos vivendo uma era de depressão, transtornos bipolares e de ansiedade.
Vejamos o cunho (em grosseiras exemplificações) destas doenças: depressão: nada mais tem graça! Transtornos bipolares: perco a capacidade cerebral de equilibrar os momentos bons e maus. Transtorno de ansiedade: quero mais tempo para conseguir terminar tudo, não suporto esperar, estou condicionado ao imediatismo do clico e resolvo, por isso o tempo do outro é agonia pra mim.
Pensemos pois, nas crianças desta sociedade. Que educação têm recebido? Que critérios os adultos tem tido para gerenciar as escolhas acerca de suas vidas? Estamos preocupados com a supressão da infância? Temos a dimensão do que isso significa?
Para quem sobra esta demanda? Para a escola. Mas que escola?
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